
São numerosos e muito ricos os tratados portugueses de medicina que permanecem desconhecidos e inéditos nos arquivos e bibliotecas de Portugal e do mundo; neles se guarda a evidência do pioneirismo português na integração e conciliação da medicina europeia com as dos mundos que então deu a conhecer, de Oriente a Ocidente. Para além do seu inegável interesse linguístico, já que revelam traços e léxico carentes de estudo, acham-se também por estudar do ponto de vista da História, por um lado, e, por outro, da História da Medicina, das Religiões, da Alimentação, da Agricultura, da Pecuária, da Medicina Veterinária ou da Botânica. A medicina antiga ou tradicional caminhava lado a lado não só com a doença mas, antes de mais, com a saúde. Abundam os segredos e práticas relativos a uma alimentação preventiva, a uma vida salutífera, englobando desde logo os melhores cuidados a ter com os alimentos e ingredientes medicinais, da conservação das sementes às sementeiras, da seleção dos melhores animais à sua criação saudável. Os alimentos e remédios recomendados desde a Antiguidade, e até ao século XVII, são predominantemente naturais, fazendo radicar a vida e a saúde nas ervas, plantas e árvores medicinais (quase sempre ao alcance de todos, como o alecrim), e enquadrando-as na relação diária e equilibrada de cada um com a Natureza e com as estações do ano; abrangem frequentemente ingredientes humanos já então de reconhecido valor nutricional mas também medicinal, como o leite de mulher, e integram já inúmeros produtos exóticos — como os ninhos de andorinha, a erva-santa (ou tabaco) e as especiarias (veja-se o cardamomo na capa e no interior deste livro) — que os Portugueses dos Descobrimentos colocaram na rota da Europa, embarcados na Ásia, em África e na América Portuguesa, o Brasil.
Page Count:
686
Publication Date:
2017-04-30
ISBN-10:
9892612817
ISBN-13:
9789892612812
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