
O Barreiro nasceu com o Tejo. Foi junto à área que constituía uma simples póvoa ribeirinha que as primeiras populações se fixaram em casas de chão batido e teto de colmo e era do estuário que retiravam o seu sustento - peixe, moluscos e sal. As ruas, becos e travessas a que atualmente se chama de Barreiro Velho já constituíram o núcleo urbano e o centro do palpitar da vida comunitária da antiga Vila. Os mais novos não conheceram, os mais velhos recordam com nostalgia e tristeza uma época em que o rio não era visto como uma barreira, mas sim como fonte de identidade que sobrevive na designação "Camarro" - aquele que nasceu e viveu paredes-meias com o rio, o areal e o barro. A pesca comercial foi central em todo este processo, quer para a fixação das primeiras populações, quer posteriormente para o seu sustento, através dos abundantes recursos que subtraiam do estuário do rio Tejo. A abundância de recursos esteve muito ameaçada no século passado, o que em grande medida decorreu do impacto negativo das substâncias poluentes de origem antropogénica despejadas durante décadas no estuário do rio Tejo. A situação tem vindo a ser corrigida, mas está longe de ser a adequada, e, para agravar a situação, surgiram impactos da pesca excessiva e da pesca destrutiva. Neste trabalho apresentamos de forma concisa a evolução recente da pesca comercial no Barreiro, fazemos o diagnóstico da situação atual, e concluímos com os fatores críticos de sucesso, onde destacamos ações a empreender para mitigar os problemas quotidianos dos marítimos, para alterar a política da pesca de forma a assegurar uma exploração sustentável dos recursos biológicos marinhos que permita a viabilidade do setor a longo prazo, e para mitigar a poluição ambiental resultante da ação antrópica e os efeitos das alterações climáticas, como condicionante à viabilidade do setor.
Page Count:
152
Publication Date:
2022-12-15
ISBN-13:
9798497370065
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